sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

CAPÍTULO 2 - A Distinção entre Ciência e Não-Ciência

A DISTINÇÃO ENTRE CIÊNCIA E NÃO-CIÊNCIA



“Por mais importantes que estes programas metafísicos tenham sido para a ciência, eles devem ser distinguidos das teorias testáveis, as quais o cientista usa de maneira diferente. Desses programas ele extrai seu objetivo - o que ele consideraria uma explanação satisfatória, uma real descoberta do que está "escondido na profundidade". Embora empiricamente irrefutáveis, esses programas de pesquisa metafísica estão abertos à discussão; podem ser mudados sob a luz da esperança que inspiram ou dos desapontamentos pelos quais podem ser considerados responsáveis”. (Popper, Karl R. Realism and the aim of science, Londres, Hutchinson, 1985, p. 193)


Introdução


Embora tenha proposto soluções inovadoras para as questões da identificação de problemas filosóficos e da existência de uma forma própria de expressão das análises filosóficas, Popper não as discutiu diretamente em mais do que três ou quatro textos. Nesse sentido, merecerão atenção especial, no presente estudo, o curto prefácio à primeira edição alemã de Logik der Forchung, de 1934,(1) assim como o prefácio da edição inglesa de The logic of scientific discovery, de 1959 (2) ainda, os textos "O que entendo por filosofia",(3) "O status da ciência e da metafísica” (4) e"Metafísica: Significado ou sem-significado?".(5)

Convém ressaltar que a discussão sobre a existência de um discurso filosófico com características próprias é encaminhada por Popper dentro de um quadro geral de seu pensamento, no qual ela se segue de outras posições assumidas por ele. Assim, Popper propõe o critério de refutabilidade (falseabilidade empírica) para a separação entre ciência e não-ciência. Além disso, posiciona-se criticamente em relação aos conceitos de filosofia propostos pelos "analistas da linguagem", ou melhor pelos defensores da "filosofia lingüística", e ainda recusa a atividade dos filósofos acadêmicos, isto é, a "filosofia profissional".


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Popper defende a posição de que grande parte das questões filosóficas levantadas até hoje tem resultado da preocupação dos filósofos em descobrir o que é filosofia ou identificar o objeto e o método da metafísica. Tais investigações são baseadas em uma concepção essencialista das teorias e definições. Elas implicam a idéia de que nossas teorias descrevem a essência das coisas. Por essa razão, essas investigações têm sido inconclusivas, e até mesmo inúteis. Popper argumenta que os filósofos têm dispendido demasiado tempo e energia em busca dessas questões definitórias, desgastando-se na procura de conceituar filosofia, ou de identificar a natureza da atividade filosófica. Seu argumento sugere que melhor exemplo pode ser encontrado nos cientistas que procuram solucionar problemas, sem essa preocupação obsessiva em definir seu campo de investigação ou questionar a atividade que vêm desenvolvendo. Popper conclui afirmando: “A função dos cientistas e do filósofo é solucionar problemas científicos ou filosóficos e não falar sobre o que ele e outros filósofos estão fazendo ou deveriam fazer”.(6)

A posição daqueles que pretendem identificar um objeto e um método para a filosofia é baseada na ultrapassada teoria de que devemos iniciar nossos estudos definindo os objetos e métodos de nosso estudo. A crítica de Popper a esse pressuposto epistemológico decorre de sua rejeição da posição essencialista que ele implica, bem como de seus argumentos contra a teoria de que podemos descobrir um método de validação de nossas idéias. Segundo Popper, a multiplicidade de disciplinas, áreas de estudo e assuntos está mais associada a razões históricas, a conveniências administrativas e ao caráter prático dessas divisões, do que a critérios relativos à natureza dos objetos. Essas divisões não estão associadas à identificação da natureza do conhecimento humano. Popper afirma: "Estudamos problemas e não matérias: problemas que podem ultrapassar as fronteiras de qualquer matéria ou disciplina.(7) Existem problemas que tradicionalmente estão ligados a certas áreas do conheci- mento, mas, no mais das vezes, implicam em teorias que se encontram espalhadas em outras seções do conhecimento, e tal não deve se constituir numa dificuldade para o investigador.

Isto tudo significa que não existe um objeto metafísico ou filosófico. Também não existe um método filosófico - no sentido de um procedimento pelo qual se produzem teorias metafísicas. O que existe é uma certa forma de expressar certas soluções que propomos para nossos problemas que, em virtude das características que ela possui, nós a chamamos de metafísica ou filosofia. Essa posição parece implicar que, uma vez estabelecida a refutabilidade como o critério de demarcação entre teorias científicas (empíricas) e as teorias não-científicas (não-empíricas), já está posto o critério de separação entre filosofia e outras formas de expressão do conhecimento.

Popper argumenta que as teorias científicas são refutáveis, isto é, podem ser submetidas a teste no intuito de refutá-las. Assim, a testabilidade das teorias é o mesmo que sua refutabilidade empírica. Ao se afirmar que as teorias filosóficas não são empiricamente testáveis, chega-se á conclusão que elas são irrefutáveis por definição.(8)

Ao estabelecer a testabilidade como o critério de distinção entre teorias científicas e não-científicas, não se pretende resolver a questão da distinção entre enunciados com significado e enunciados sem significado. Segue-se da posição de Popper que, quando se diz que uma teoria não é científica, isso não significa que ela não tem significado. De igual forma, a refutabilidade não é posta como um critério para separar teorias verdadeiras de teorias falsas. Testabilidade ou refutabilidade não significam que uma teoria é verdadeira. Assim como irrefutabilidade não é critério de falsidade.

Das razões acima expostas, podemos evoluir para a conclusão que as teorias filosóficas ou metafísicas não são empiricamente testáveis - sem, com isso, serem necessariamente sem sentido. São igualmente irrefutáveis - sem, com isso, serem necessariamente falsas. Contudo, isso também significa que as teorias filosóficas, sendo irrefutáveis e simultaneamente incompatíveis, não podem ser consideradas todas verdadeiras.


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Popper afirma, em "O status da ciência e da metafísica"(9) que podemos distinguir dois sentidos diversos para a palavra irrefutabilidade. Num primeiro sentido lógico, essa palavra indica a inexistência de meios puramente lógicos para refutar uma teoria. Assim, nesse primeiro sentido, irrefutabilidade significa consistência. Num segundo sentido, irrefutabilidade indica impossibilidade de teste empírico. Nesse sentido, ao dizermos que uma teoria é empiricamente irrefutável, isto significa que não é possível deduzir da teoria qualquer enunciado empírico que a tome passível de refutação. Ela possui elevado conteúdo explicativo, sendo, contudo, compatível com qualquer experiência possível. O argumento conclui que a irrefutabilidade não é um critério para se determinar a verdade de uma teoria, isto é, não se pode concluir que determinada teoria é verdadeira porque é coerente, nem mesmo que é verdadeira por explicar todos os casos com os quais se defronta. Do mesmo modo, a incoerência, a irrefutabilidade e o baixo teor explicativo não são suficientes para determinar a falsidade de uma teoria.

As teorias filosóficas ou metafísicas não são científicas, pois não satisfazem o critério da refutabilidade. Popper entende que podemos distinguir três tipos de teorias racionais: teorias lógicas e matemáticas, teorias empíricas e científicas, e teorias filosóficas e metafísicas.(10) Nas teorias lógicas e matemáticas, o critério para distinguir a verdade da falsidade é o teste com o intuito de refuta-Ias. Não sendo isso possível, segue-se outro caminho, por exemplo, tentar prová-las. Não sendo isso possível, tenta-se refutar sua negação ou examinar criticamente as teorias rivais. Esse processo segue até encontrarmos uma solução satisfatória ou abandonarmos o problema como difícil demais ou suficientemente discutido. Nas teorias científicas ou empíricas, procedemos de forma igualmente crítica, tentando refuta-Ias, quer por meio de considerações críticas, quer por meio de testes empíricos.

O critério de identificação das teorias chamadas filosóficas ou metafísicas tem uma problemática especial. Isso porque as teorias filosóficas, sendo irrefutáveis, possuem um critério próprio para a avaliação de sua veracidade ou falsidade. Popper afirma que: “Se considerarmos uma teoria como solução proposta para certo conjunto de problemas, ela se prestará imediatamente à discussão crítica, mesmo que seja não-empírica. Com efeito, poderemos formular perguntas como: Resolve o problema em questão? Resolve-o melhor do que outras teorias? Terá apenas modificado o problema? A solução proposta é simples? É fértil? Contraditará teorias filosóficas necessárias para resolver outros problemas? Perguntas desse tipo demonstram que pode haver perfeitamente uma discussão crítica, mesmo de teorias irrefutáveis.(11)

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A posição de Popper implica que é possível examinar criticamente as teorias irrefutáveis. Conseqüentemente, podemos dar às teorias filosóficas ou metafísicas um tratamento racional. Assumindo que as nossas teorias são tentativas de solucionar determinados problemas, e que todo problema envolve uma situação específica, Popper propõe que se analise a relação existente entre a teoria e a situação-problema que se pretende resolver. Nesse sentido, nossa razão pode ser empregada corno instrumento crítico para a identificação de cada situação-problema e para a análise das várias formas pelas quais podemos resolvê-la. A crítica racional de uma teoria filosófica envolve a análise da relação existente entre a teoria e um determinado problema para o qual essa teoria é posta como solução.

Contudo, jamais chegaremos à solução definitiva de um problema filosófico, pois não nos será possível a refutação definitiva de qualquer solução proposta. As soluções filosóficas são sempre cabíveis, e qualquer solução pode ser proposta a qualquer momento. Não dispomos de um critério que nos indique a solução verdadeira. Não dispomos da refutabilidade como critério para a indicação da solução que é definitivamente falsa. Os critérios de que dispomos são provisórios. Podemos, ao criticar racionalmente uma solução, optar por uma outra, sem que isso acarrete, contudo, o falseamento da solução anterior. Em filosofia não ternos soluções definitivas, nem soluções empiricamente eliminadas.(12)

Esse é o preço de sua irrefutabilidade. Portanto, conforme Popper, o método filosófico consiste na discussão racional da relação existente entre os problemas e as soluções propostas. Não se trata de um método particular da filosofia. Com efeito, a discussão racional e a atitude crítica que ela implica estão presentes em toda investigação científica ou racional. Esse método só é filosófico na medida em que a filosofia também se constitui na atividade de procurar enunciar claramente os problemas, bem como discutir de forma continuada as soluções a eles apresentadas. Embora não haja um método particular para a filosofia, Popper aponta um que, dentre os que têm sido usados pelos filósofos, ele acredita ser merecedor de menção especial.

Ele afirma: “É uma variante do método histórico (hoje fora de moda). Consiste, simplesmente, em tentar saber o que outras pessoas pensaram e disseram acerca do problema em causa; por que se viram compelidas a enfrentá-lo; como formularam; como tentaram resolvê-lo. Isso me parece importante, porque é parte do método geral de discussão racional. Se ignorarmos o que outras pessoas pensam ou pensaram no passado, a discussão racional se encerrará, embora cada um de nós possa prosseguir alegremente, falando consigo mesmo. (13)

Em função dos problemas com que se depara o filósofo, será muito mais interessante ele utilizar a discussão da história do problema em cada caso do que se entregar à discussão de questões de linguagem.

A posição de Popper, embora seja particularmente crítica de
certas opiniões correntes entre os chamados filósofos profissionais, não desmerece as teorias filosóficas ou metafísicas. Popper argumenta que, se rastrearmos as teorias científicas através do tempo, poderemos perceber que a maior parte delas teve sua origem em mitos, em conhecimento folclórico, e em teorias filosóficas. A esse propósito, afirma: “...o que considero por filosofia, nunca terá de ser e, na verdade, nunca poderá ser divorciado das ciências. Historicamente, toda ciência ocidental é um produto da especulação filosófica grega sobre o cosmos, a ordem do mundo.(14)

Destaque-se, ainda, o fato de que a linha demarcatória entre ciência e metafísica não pode ser traçada com acentuada nitidez. Existem graus diversos de testabilidade que se alongam desde a perfeita testabilidade até a absoluta impossibilidade de teste. Existem também as teorias mais ou menos testáveis, e elas formam uma zona nebulosa entre ciência e filosofia.(15)

Conclusão


Concluindo podemos registrar algumas idéias que talvez contribuam para a discussão do problema da identificação do conhecimento filosófico ou metafísico. Popper parece ter defendido a posição de que não podemos elaborar uma definição essencialista de filosofia. Não nos importam as palavras, expressivas ou não de algum substrato permanente do real. Não podemos presumir que exista uma essência para a filosofia que possa ser retida numa definição. As definições de filosofia só podem ter o caráter arbitrário de qualquer outra definição. Popper afirma: “Uma definição da palavra "filosofia" só pode ter o caráter de convenção, de acordo; e, de modo algum, vejo mérito na arbitrária proposta de definir a palavra "filosofia" de maneira que possa impedir o estudioso de filosofia de tentar contribuir, qua filósofo, para o avanço de nosso conhecimento acerca do mundo.(16)

Assim como as demais modalidades de conhecimento racional, inclusive o conhecimento científico, não possuem um método particular, da mesma maneira, a filosofia não tem um método próprio. Na verdade, não importa o método empregado pelos filósofos. O que interessa é o problema que eles estão empenhados em resolver. (17)

Também não existe um objeto propriamente filosófico. O problema no qual os filósofos estão interessados, isto é, "o problema de compreender o mundo - inclusive nós próprios e nosso conhecimento como parte do mundo", (8) não é uma questão particular dos filósofos. Por ele se interessam todos os seres humanos de alguma forma dedicados à cultura, no passado e no presente. Esse é, na realidade, um problema que pode ser identificado como cosmológico, e tanto a filosofia como a ciência estão voltadas para ele.

Pode-se afirmar que tal problema é particularmente enfocado pelos filósofos, enquanto buscam estudar a questão do aumento do saber. E estudam o aumento do saber (epistemologia) na medida em que estudam o aumento do conhecimento científico (teoria da ciência).

A teoria acima exposta teria levado Popper a afirmar, em seu interessante trabalho "O que entendo por filosofia": "... todos os homens e todas as mulheres são filósofos. Se eles não têm consciência de seus problemas filosóficos, de qualquer maneira eles têm preconceitos filosóficos.(19) Evidentemente, existem uns que são mais filósofos do que outros, e isso pode ser identificado na medida em que alguns são mais capazes de desenvolver o espírito crítico em relação às suas inquietudes. Mas, de qualquer forma, embora em graus diferentes, todos somos filósofos, pois todos somos capazes de formular teorias e criticá-las.


Notas e referências


1. POPPER, KARL R. A lógica da pesquisa científica. São Paulo, Cultrix/Edusp, 1975, p. 23. 2. Iden4 ibidem, pp. 535-543.

3. Idem, A lógica das ciências sociais. Brasília, Unb, 1978, pp. 85-101.

4. Idem, Conjecturas e refutações. Brasilia, Unb, s.d., pp. 211-226.

5. Idem, Realism and the aim of science. Londres, Hutchinson, 1985, pp. 194-216.

6. Idem, Conjecturas e refutações. Brasília, Unb, 1981, p.95. 7. Idem, ibidem, p.96.

8. Idem, ibidem, p. 223.


9. Idem, ibidem, p. 221.

10. Idem, ibidem, p. 223.

11. Idem, ibidem, p. 225.

12. Idem, ibidem, p. 226. Em ciência, também não temos soluções definitivas, nem soluções definitivamente eliminadas. Porém, dispomos de critérios que nos permitem identificar teorias que tenham melhor desempenho diante dos testes empíricos.

13. Idem, A lógica da pesquisa científica. São Paulo, Cultrix/Edusp, 1975, p. 537.

14. Idem, A lógica das ciências sociais. Brasília, Tempo Brasileiro/Unb, 1978, p. 98. 15. Idem, Conjecturas e refutações. Brasília, Unb, 1981, p. 284.

16. Idem, A lógica da pesquisa científica. São Paulo, Cultrix/Edusp, 1975, p. 539.

17. Idem, ibidem, p. 536.

18. ldem, ibidem, p. 535.

19. Idem, A lógica das ciências sociais. Brasília, Tempo Brasileiro/Unb, 1978, p. 92.

11 comentários:

Prof. Luis A. Peluso disse...

Caros alunos,
Após ler o texto, faça um comentário de 15 linhas apresentando aquilo que vc. entendeu como a idéia central.

Alessandra disse...

Popper se preocupa em mostrar que a procura pela essência das coisas não leva a nada, a discussão sobre a linguagem e o método não resolvem a situação, e que a importância deve ser dada a solução de problemas, num contexto interdisciplinar. Certas soluções a estes problemas, para Popper, têm características que chamamos de filosofia ou metafísica, segundo Popper, não-ciência. Para separar a ciência da não-ciência Popper utiliza-se da refutabilidade, dizendo que a ciência é refutável / testável, e com esta afirmação concluindo que a filosofia é irrefutável (pelo fato de ser uma ciência não empírica).
Popper nos abre um leque de possibilidades, explicando o conceito de irrefutabilidade que implica nas teorias não-científicas, provando que uma situação-problema abre portas para discussões críticas com análises racionais, retornando diversas soluções que não são falsas e nem deixam de ser verdadeiras, assim como podem ser melhores para cada situação. Nunca temos uma solução definitiva, irrefutabilidade não garante a negação de uma teoria, assim como refutabilidade não garante a sua veracidade, o que podemos ter é a melhor solução para um determinado problema naquela situação.

Lucas R. P. disse...

O critério básico para distinguir ciência de não ciência segundo Popper é a refutabilidade de determinada teoria. A refutabilidade indica que toda teoria cientifica tem como intuito mostrar como tal fenômeno natural pode ser descrito, e não poder afirmar com absoluta certeza que aquele tal fenômeno é descrito daquela forma. As teorias não testáveis são, portanto, irrefutáveis por definição. A testabilidade pode ter o sentido de falseabilidade empírica ou o sentido de “não haver meios puramente lógicos para refutar uma teoria.”
Para Popper temos então três teorias racionais: filosóficas e metafísicas (não científica), lógicas e matemáticas (não científica se não houver comprovação empírica) e científicas empíricas. Dentre teorias não científicas, se encontra teorias vindas de mitos religiosos e as chamadas “teorias dogmáticas” como o marxismo. Quanto à filosofia, a maneira de avaliação seria observando a relação entre a teoria, o problema e a suposta solução. Se por exemplo o problema após a “solução” foi aumentado (com outras indagações mais complexas) significa que esta “solução” não serve. Se o problema foi resolvido por uma solução satisfatória pelo crivo crítico então ela serve.
Popper respondeu de certa forma a questão, porém o critério adotado por ele implica em outros problemas, pois deixa-nos á deriva ao supor que nenhuma teoria científica (ou não científica) é realmente verdadeira ou falsa. Também pelo critério de refutabilidade ser também uma teoria, e se esta for refutável, significa que o que Popper diz pode estar incorreto, fazendo-nos voltar à questão inicial. Dentre as pessoas que o criticam está Thomas Kuhn e Imre Lakatos.

ney carvalho disse...

o principal ponto destacadO principal aspecto destacado e desenvolvido foi a possibilidade de separação entre a filosofia cientifica (metafísica) e a e a ciência empírica, que é uma possibilidade difícil de ser realizada, assim como é difícil de atestar a veracidade de teorias da metafisica, não havendo parâmetro definidos para definir como verdadeira as mesmas.
Como não existe esses parâmetros mesmo essas teorias sendo irrefutáveis, não podem ser consideradas totalmente certas e verdadeiras, porem essas devem apresentar coerência, lógica e um teor explicativo satisfatório, não podendo ser refutadas.
o

Giu disse...

No sentido de enquadrar e definir teoria, chega-se a discussão sobre ciência e não-ciência.
Na tentativa da definição, Popper propõe o critério de refutabilidade (falseabilidade empírica). Assim, a testabilidade das teorias é o mesmo que sua refutabilidade empírica. Considerando a afirmação de que as teorias filosóficas não são empiricamente testáveis, chega-se á conclusão que elas são irrefutáveis por definição o que segundo Popper pode significar inconsistência tanto quanto pode indicar a impossibilidade de teste empírico, significando que não é possível deduzir da teoria
Porém, a testabilidade não significa que uma teoria é verdadeira assim como quando se diz que uma teoria não é científica, isso não significa que ela não tenha significado.
Considerando o acima citado, Popper entende que podemos distinguir três tipos de teorias racionais: teorias lógicas e matemáticas, teorias empíricas e científicas, e teorias filosóficas e metafísicas.
Nas teorias científicas ou empíricas, tanto quanto nas lógicas e matemáticas, procedemos de forma igualmente crítica, tentando refuta-Ias, quer por meio de considerações críticas, quer por meio de testes empíricos.
Há um critério próprio para a avaliação da veracidade ou falsidade das teorias chamadas filosóficas ou metafísicas já que as mesmas são irrefutáveis. Teriam que ser verificados aspectos em geral, como: se a mesma resolve um problema em questão? Resolve-o melhor do que outras teorias? Teria apenas modificado o problema? Se a solução proposta é simples? Se a mesma contradirá teorias filosóficas necessárias para resolver outros problemas? etc.
Podemos então, ao criticar racionalmente uma solução, optar por outra, sem que isso acarrete, contudo, o falseamento da solução anterior. Em filosofia não temos soluções definitivas, nem soluções empiricamente eliminadas já que as soluções filosóficas são sempre cabíveis, e qualquer solução pode ser proposta a qualquer momento.
Popper ainda destaca que podemos perceber que muitas teorias cientificas “nasceram” de mitos e que a linha demarcatória entre ciência e metafísica não pode ser traçada com acentuada nitidez determinando assim a importância da filosofia e sua clara ligação com a ciência.

Caio disse...

Ao meu ver existem duas idéias centrais no texto. A primeira trata da definição de ciência e não-ciência. Popper utiliza a falseabilidade como a linha divisória entre ciência e não-ciência. Separando assim as teorias em refutáveis e irrefutáveis. As refutáveis são aquelas que podem ser submetidas a testes e que portanto podem ser provadas falsas ou ter sua teoria corroborada (as teorias científicas se encaixam aqui), e as irrefutáveis, que são aquelas as quais não há como fazer testes para saber se são falsas (a filosofia e a metafísica se encaixam aqui). A outra idéia é a de que os filosofos deveriam gastar menos energia e tempo tentando definir a própria filosofia e mais tentando resolver problemas, a exemplo dos cientistas que não se preocupam em definir a ciência mas sim aplicá-la.

leo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
leo disse...

Entendi três idéias principais no texto, a primeira diz respeito a como os filósofos perdem tempo ao discutirem o que é filosofia, identificando métodos e objetos, em contraponto os cientistas são muito mais práticos, pois gastam seu tempo a resolver problemas por meio do uso do método cientifico. Popper diz: “ A função dos cientistas e do filósofo é solucionar problemas científicos ou filosóficos e não falar sobre o que ele e outros filósofos estão fazendo ou deveriam fazer”.
A segunda é uma crítica à “ultrapassa” teoria ( de acordo com Popper )de que devemos iniciar estudos definindo os objetos e métodos de nosso estudo, o mesmo argumenta que a multiplicidade de disciplinas, está mais associada a razões históricas, a conveniências administrativas e ao caráter prático dessas divisões, do que a critérios relativos à natureza dos objetos estudados. Popper afirma: “Estudamos problemas e não matérias. Problemas esses que podem ultrapassar as fronteiras de qualquer matéria ou disciplina”.
A terceira nos diz como Popper define o que é científico e o que é não-científico. Onde o mesmo utiliza a falseabilidade como fronteira entre ciência e não-ciência. Dividindo assim: científico , aquilo que pode ser refutável onde as mesmas podem ser submetidas a testes e que portanto podem ser provadas falsas ou ter sua teoria comprovada e não-científico , as irrefutáveis , que são aquelas as quais não há como fazer testes para saber se são falsas (a filosofia e a metafísica se encaixam aqui).

Rodrigo disse...

Realizar essa distinção entre ciência e não-ciência é um levante demasiado de um tema que com certeza levará a exaustão antes mesmo de ser concluído. A definição de Popper, faz com que nos aproximamos a resolução do conhecer a idéia dessa distinção.
Popper demonstra que existe uma refutabilidade empírica, assim como essa uma refutabilidade lógica, mas não é possível refutar uma idéia filosófica, mesmo sendo essa idéia de caráter científico, ou seja, a ciência e a filosofia estão mais unidas do que normalmente é considerado.
É possível notar que o ponto mais atencioso é dado a filosofia, da qual não se pode fechar uma definição única, exatamente por ser irrefutável.
Vejo nesse texto a coragem de Popper em realizar tal crítica à aqueles que divagam sobre idéias filosóficas, metódos científicos e tantos outros assuntos que não levam a resolução de problemas da humanidade (sejam eles teóricos ou não). Isso demonstra a necessidade de utilidade como ser humano que é, perante uma sociedade que sempre necessita de avanços em todos os âmbitos.

Renato disse...

As idéias do texto parecem querer traduzir as seguintes idéias: Teorias Científicas são aquelas que podem ser REFUTADAS, ou seja, que podem ser falseadas ou contrariadas. Teorias não científicas, aonde entram as Metafísicas e Filosóficas, são IRREFUTÁVEIS, não podem ser contrariadas, ou porque não apresentam formato refutável ou porque não podem ser testadas empiricamente. Mas o principal é a forma como Popper critica as "definições" dadas para filosofia e ciência. A preocupação parece maior em definir do que aplicar, tanto ciência quanto filosofia. Mas apesar de criticar no texto apenas as definições de filosofia e ciência, o que parece é que Popper critica qualquer definição em geral, qualquer forma de "formalizar" ou "modelar" algo, ao invés de aplicar as idéias.

analuizavalle disse...

Para Popper, a solução dos problemas era o fundamental. Ele afirmava que existem problemas que estão ligados a diversas áreas de conhecimento.
Além disso, ele argumentava que as teorias científicas são refutáveis, ou seja, podem ser submetidas a teste com a intenção de refutá-las, diferentemente das teorias filosóficas que não são empiricamente testáveis, são irrefutáveis por definição.
Ainda assim, isso não significa dizer que uma teoria não científica não tenha significado. A possibilidade de se testar ou refutar uma teoria não implica em dizer que ela é verdadeira, da mesma forma que a irrefutabilidade não é critério de falsidade.
A partir daí, Popper analisa a irrefutabilidade e passa a distinguir a teoria racional em três tipos: teorias lógicas e matemáticas, teorias empíricas e científicas, teorias filosóficas e metafísicas.
Ele acreditava também que é possível examinar de forma crítica, as teorias irrefutáveis, e propõe que se faça uma análise da relação existente entre teoria e o problema que se pretende resolver. Pensando desta forma, pode-se dizer que todos somos filósofos, já que podemos criar teorias e criticá-las.